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Erros comuns na declaração do IRPF 2025 e como evitá-los

Erros comuns na declaração do IRPF 2025 e como evitá-los

A temporada do Imposto de Renda já começou e, com ela, surgem também os riscos de cometer deslizes que podem custar caro. Um dos grandes desafios enfrentados por quem declara por conta própria é subestimar os detalhes. Em um cenário onde a Receita Federal está cada vez mais integrada com sistemas bancários, previdenciários e plataformas de investimento, qualquer inconsistência pode gerar dor de cabeça. Por isso, é essencial estar atento aos erros mais comuns que ainda persistem, ano após ano, nas declarações dos brasileiros.

Informações omissas ou divergentes

Um dos principais motivos que levam à malha fina é a omissão de rendimentos. Isso acontece quando o contribuinte esquece de declarar salários de empregos anteriores, trabalhos como autônomo ou até mesmo recebimentos de aluguel. Às vezes, o erro nem é de má fé, mas o Fisco não considera boas intenções. Todos os dados devem bater com as informações recebidas pelas fontes pagadoras e cruzadas pelos sistemas da Receita. Qualquer divergência entre o que você declara e o que terceiros informaram já acende o alerta. O mesmo vale para valores informados com erro de digitação, casas decimais trocadas ou CPF incorreto de dependentes ou prestadores de serviço.

Despesas médicas mal preenchidas

Outro erro recorrente está nas despesas médicas. É comum o contribuinte lançar valores sem ter os comprovantes, ou então declarar atendimentos que não são dedutíveis, como cirurgias estéticas. Além disso, nem todas as despesas com saúde são integralmente dedutíveis. Consultas médicas, psicólogos, dentistas e exames estão na lista, mas é fundamental ter os recibos em mãos, com CPF do profissional e detalhamento da prestação do serviço. A Receita Federal tem apertado o cerco especialmente sobre esses lançamentos. E não adianta usar modelos prontos de recibos ou contar com notas genéricas. Cada detalhe importa.

Erro na inclusão de dependentes

Incluir dependentes indevidamente também pode ser um problema. Muita gente tenta ampliar a restituição ou reduzir o imposto a pagar incluindo pessoas que não se enquadram nos critérios. Filhos que já não são mais economicamente dependentes ou que não se encaixam na faixa etária permitida, por exemplo, não podem ser considerados. Além disso, declarar dependentes exige que você também informe os rendimentos que eles tiverem e as despesas correspondentes. Muita gente esquece disso, o que gera inconsistências. Pior ainda é quando dois contribuintes diferentes tentam declarar a mesma pessoa como dependente.

Investimentos ignorados ou declarados de forma errada

Com o aumento do número de investidores, especialmente os que atuam com renda variável, os erros na declaração de investimentos também cresceram. Muitos esquecem de informar lucros, rendimentos isentos ou até mesmo o saldo de ações e fundos no final do ano. Outros confundem o valor de aquisição com o valor de mercado, ou então não preenchem corretamente os campos específicos do programa da Receita. A Receita Federal já cruza essas informações com dados fornecidos por corretoras, bancos e plataformas. E qualquer erro pode levar a multa ou malha fina. É importante lembrar que, mesmo que não haja lucro tributável, a movimentação deve constar na declaração.

Omissão de rendimentos de dependentes

Outro erro comum é não declarar os rendimentos recebidos por dependentes. Se um filho, por exemplo, faz estágio ou recebe pensão, esses valores precisam ser incluídos. Muita gente se esquece, especialmente quando os valores são pequenos. Mas a Receita Federal cruza os dados com CNPJs pagadores e CPFs dos recebedores. Mesmo valores baixos podem gerar pendências. Esse é um tipo de descuido que pode comprometer a restituição, ou até gerar a temida carta de intimação.

Erros na venda de bens

Quando alguém vende um imóvel, carro ou outro bem de valor, é preciso declarar a transação corretamente, inclusive com o valor real de venda. Informar valores fictícios ou manter o bem no mesmo valor da compra para evitar pagar imposto sobre ganho de capital é um erro que pode custar caro. O sistema da Receita já tem acesso a escrituras, Detran e bancos, e os dados são cruzados com rapidez. Além disso, é preciso preencher corretamente o GCAP, o programa de ganho de capital. Um pequeno erro nesse preenchimento já pode desconfigurar toda a estrutura da declaração.

Atualização incorreta de valores

Muitos contribuintes deixam de atualizar os valores dos bens corretamente, especialmente imóveis. Isso pode impactar na hora da venda, gerando um ganho de capital maior do que o real. Ainda que não seja necessário atualizar o valor de mercado todos os anos, reformas e melhorias podem ser somadas ao valor do bem, desde que sejam comprovadas. Guardar notas fiscais de reformas, materiais e mão de obra pode fazer uma diferença relevante lá na frente, tanto na hora da venda como para justificar evolução patrimonial.

Confundir isenção com dispensa de declarar

Só porque alguém está isento de pagar imposto, não significa que está dispensado de declarar. Há muitas situações em que a pessoa não terá imposto a pagar, mas ainda assim é obrigada a enviar a declaração. Receber rendimentos superiores ao limite, ter bens acima de R$ 800 mil, operar na Bolsa ou ganhar acima de R$ 40 mil em rendimentos isentos são exemplos disso. Confundir isenção com dispensa é um erro clássico que faz muita gente deixar de declarar quando deveria. Isso pode gerar multa e complicações futuras, especialmente na hora de solicitar algum documento junto à Receita Federal.

Dificuldades com MEI ou rendimentos como autônomo

Empreendedores individuais ou profissionais autônomos muitas vezes se atrapalham ao tentar declarar seus rendimentos. A separação entre pessoa física e jurídica precisa ser feita com clareza. Muitas vezes, o MEI transfere valores para a conta pessoal e esquece de declarar aquilo como pró-labore ou rendimento isento. Esse tipo de confusão pode ser facilmente identificado pelos cruzamentos automáticos do Fisco. O mesmo vale para quem atua como profissional liberal e recebe por fora, sem nota fiscal. Os pagamentos recebidos, ainda que em dinheiro ou PIX, devem ser declarados.

O perigo de copiar a declaração anterior

Muita gente, para facilitar, copia a declaração do ano anterior e faz apenas alguns ajustes. Essa prática pode até poupar tempo, mas é arriscada. Mudanças de emprego, aquisições, vendas, investimentos, alteração de dependentes ou até rendimentos extras podem passar despercebidos se a pessoa não revisar tudo com calma. Cada ano fiscal é único. E fazer uma cópia superficial da declaração passada pode acabar perpetuando erros antigos ou gerar novas pendências.

Falta de revisão final antes de enviar

Por fim, um erro que parece simples, mas é extremamente comum: não revisar a declaração antes de enviar. Detalhes como campos em branco, datas erradas, informações duplicadas ou esquecidas podem passar batido. A pressa para entregar logo ou o medo de perder o prazo faz muita gente pular essa etapa essencial. Uma boa prática é preencher com calma, salvar, descansar a mente e revisar no dia seguinte. Esse tempo pode evitar problemas futuros, multas ou retrabalho com retificações.

Em tempos de cruzamento automático de dados e inteligência artificial no Fisco, declarar imposto de renda não é mais uma tarefa que pode ser feita de forma amadora. Cada erro, por menor que pareça, pode ser um gatilho para autuações, multas ou até bloqueio da restituição. A melhor forma de evitar esses riscos é estar bem informado, manter organização durante o ano inteiro e, quando necessário, contar com o suporte de um escritório de contabilidade. Com atenção aos detalhes e responsabilidade com a verdade, a declaração de IRPF 2025 pode ser mais tranquila, segura e eficaz. E isso faz toda a diferença na vida financeira e na tranquilidade de quem busca manter tudo certo com o Fisco.